08/02/2011

AVALIAÇÃO DA KASINSKI SOFT 50



O mercado das cinquentinhas cresceu bastante nos últimos anos. Várias fábricas passaram a oferecer em sua linha algum modelo que estivesse em conformidade com o Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro, ou seja, que tivesse motor com até 50 cm³ e velocidade limitada a 50 km/h. Entretanto, entre as sino-brasileiras a Kasinski era uma das poucas que estavam ausentes do lucrativo segmento. Agora não está.

Focada no crescimento da marca Kasinski, a CR Zongshen jamais deixaria de atuar num segmento representativo que, se não é um "filão", ao menos tem volume considerável e por enquanto está livre da concorrência da Honda, empresa que detém uma grandiosa fatia do mercado e que costuma estar à frente de praticamente todas as categorias. 



A partir do momento que Cláudio Rosa Jr. assumiu a bandeira da Kasinski e "colocou ordem na casa" os produtos que levam este nome ganharam em qualidade e personalidade. Se antes a Kasinski não tinha vergonha de plagiar, hoje a empresa tem departamentos com profissionais preocupados com a "cara" de cada moto. A nova Soft 50 nasceu na era pós-Cláudio Rosa, tem o DNA da marca e veio para mostrar que pode desbancar a concorrência oferecendo "mais pelo mesmo".

Poucos acreditam que a Soft é de fato uma “cinquentinha”. O porte avantajado em relação às concorrentes e a aparência de Win 110 – moto que cedeu todo o corpo, inclusive a carenagem – fazem com que diferenciação da nova motoneta seja complicada. Mas tudo bem: toda Soft tem rodas raiadas e baú, itens que a “irmã” não tem. A semelhança tem vantagens, como a imagem de moto mais potente, mas faz com que o lançamento fique sem o ar de novidade, algo bastante valorizado por quem paga caro para ter um zero quilômetro.

É verdade que a Kasinski demorou a lançar um produto para concorrer com Dafra, Traxx e Shineray, principalmente se contado o fato de que a Soft aproveita a Win por inteira e que o motor estava pronto há tempos. Para que a Soft nascesse bastou apenas a vontade dos executivos da CR Zongshen. Bastou apenas uma “canetada”.

Conhecido dos brasileiros desde o ano passado, o desenho da Soft é atual e harmonioso. Os traços marcantes conferem personalidade, algo raro em marcas chinesas. Mas a Kasinski está se saindo muito bem nos últimos lançamentos, mostrando que tem profissionais responsáveis pela imagem de seus produtos, ao contrário de algumas empresas que copiam sem a menor parcimônia.

O acabamento dos plásticos está acima do esperado. Os comandos estão bem localizados e os botões têm acionamento facilitado. As peças metálicas são bem pintadas e, como se espera, farol, lanterna e piscas cumprem suas funções com eficiência. Os pneus mais largos que o habitual dispensam a troca por quem aprecia um visual mais esportivo. A ressalva vai para o baú, que tem fechamento nada prático – dá trabalho acertar a fechadura. 

O motor de 49,5 cm³ é uma unidade já utilizada em diversos produtos chineses, desde scooters a pequenos carros. Arrefecido a ar, com comando no cabeçote, duas válvulas e alimentado por carburador, o propulsor tem configuração básica. O câmbio de quatro marchas é do tipo rotativo (com o veículo parado é possível passar da 4ª para Neutro) e tem embreagem automática do tipo centrífuga. Tal configuração dá à Soft uma vantagem em relação às concorrentes, que possuem embreagem com acionamento manual.

Ao guidão da Soft a sensação é de estar numa Win, pois quase tudo é igual. A diferença está no velocímetro, que tem escala menor e uma breve explicação sobre o Anexo I do CTB. Como padrão nas Kasinskis populares, há os dois sistemas de partida. O sistema elétrico só funciona com o freio acionado, seja pelo manete, seja pelo pedal. A medida visa a segurança dos iniciantes, mas incomoda bastante quem está habituado ao modo “pular em cima e sair”.

À primeira acelerada o motor deixa a desejar em arrancada. A explicação não está no fato dele ser pequeno, mas no sistema de escapamento superdimensionado. Por questão de custo a fábrica resolveu aproveitar a peça da Win 110, que não proporciona a contrapressão ideal para um motor de baixa capacidade cúbica. Um sistema de menor diâmetro melhoraria o desempenho. As relações de marchas são bem curtas para aproveitar a pequena faixa de torque disponível, e por causa disso à 1ª serve apenas para sair da imobilidade, restando a 2ª para velocidades baixas. Em alta rotação o motorzinho se comporta muito bem, sem vibrar excessivamente.



O propulsor está aquém do comportamento exemplar da Soft, que muda de direção, freia e faz curvas muito bem. Os pneus largos prejudicam o desempenho, mas formam uma boa parceria com as suspensões e o banco, este muito bem projetado, em prol do conforto. Os retrovisores convexos são ótimos, embora não possibilitem uma regulagem mais ampla. E o passageiro viaja com certo conforto graças ao encosto e aos pedais fixos no quadro.

Em termos de consumo de combustível a cinquentinha não é dos melhores negócios. Por andar quase sempre no limite de rotação, o motor queima gasolina como se tivesse o dobro do tamanho. Nossa média foi de 46 km/L, número fácil de ser atingido com a própria Win 110, que é duas vezes mais potente. Vale ressaltar que nosso teste não incluiu o uso rodoviário, que é proibido para veículos com motores menores que 100 cc.

Custando cerca de R$ 1 mil a menos que a Win 110 e com preço na faixa das concorrentes, a Soft 50 convence pelo pacote de equipamentos que inclui partida elétrica, embreagem automática, baú, indicador de marcha, marcador de combustível e o visual de moto maior. Onde as cinquentinhas fazem sucesso, no Nordeste, a Kasinski não tem uma grande rede. Contudo, a parceria com a rede Magazine Luiza ajudará nas vendas – embora continue devendo em assistência técnica.

As poucas vantagens de se ter uma cinquentinha estão no preço de aquisição e nos impostos (não é cobrado IPVA, Seguro ou Licenciamento). Custos de manutenção e regras para uso são quase os mesmos das motonetas, sendo que estas têm desempenho superior. Para quem não tem pressa e anda pouco, a Soft 50 é uma excelente opção.



QUADRO, DIMENSÕES E PESO
Quadro:
 Underbone
Comprimento:
 192 cm
Largura:
 68 cm
Altura:
 106 cm
Altura do assento:
 -
Distância mínima do solo:
 12 cm
Entre-eixos:
 123 cm
Ângulo de cáster:
 -
Trail:
 -
Tanque:
 3,5 litros
Peso a seco:
 90 kg
MOTOR
Configuração:
 monocilíndrico, OHC, 2 válvulas, 4 tempos, arrefecido a ar
Capacidade cúbica:
 49,5 cm³
Diâmetro x Curso:
 39 x 41,4 mm
Taxa de compressão
 9,4:1
Potência:
 4 cv  8.000 rpm
Torque:
 0,35 kgf.m a 7.500 rpm
Alimentação:
 Carburador P14
Partida:
 Elétrica e a pedal
Lubrificação:
 -
Ignição:
 -
Bateria:
 -
TRANSMISSÃO
Primária / Relação:
 Engrenagens / -
Secundária / Relação:
 Corrente / -
Embreagem:
 -
Câmbio:
 Manual de 4 velocidades
Relações de marcha:
 -
FREIOS
Dianteiro:
 Tambor
Traseiro:
 Tambor
Assistência:
 -
SUSPENSÕES:
Dianteira:
 Telescópica 
Traseira:
 Bi-amortecida
RODAS / PNEUS
Roda dianteira:
 -
Pneu dianteiro:
 Cheng Shin 2.50-17
Roda traseira:
 -
Pneu traseiro:
 Cheng Shin 2.75-17
CORES:
 Preta, Prata e Vermelha
MERCADO (PAÍSES)

INFO. ADICIONAIS:

Siga-nos no Twitter Encontre-nos no Facebook